segunda-feira, janeiro 17, 2005

Alphonsus de Guimaraens

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava longe do céu...
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar. . .
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma, subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

Vida e Obras

Afonso Henriques da Costa Guimarães nasceu a 24 de julho de 1870, em Ouro Preto, Minas Gerais. Após os primeiros estudos no Ginásio Mineiro, cursa a Escola de Minas de Ouro Preto. Em 28 de dezembro de 1888, morre Constança, sua noiva, filha de Bernardo Guimarães. O amor por Constança está presente em toda a sua vida e obra poética.Em 1891 transfere-se para São Paulo, matriculando-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Torna-se promotor e depois juiz em Conceição do Serro, Minas Gerais.No Rio de Janeiro (1895), conheceu Cruz e Souza, cuja obra admirava e de quem se tornou amigo.Em 1897, casa-se com Zenaide de Oliveira; em 1906 é nomeado juiz de Mariana, de onde não mais sairia; daí ser conhecido como "o solitário de Mariana" , embora vivesse com a esposa e ... 14 filhos! Em 1899, estreou com dois volumes de versos, Setenário das dores de Nossa Senhora e Câmara ardente e Dona Mística, ambos de nítida inspiração simbolista.Em 1900, passou a colaborar em A Gazeta, de São Paulo. Em 1903, suprimido o seu cargo de juiz-substituto em Conceição do Serro, viu-se em graves dificuldades financeiras, apesar de já reconhecido literalmente com a publicação, no ano anterior, de Kyriale, lançado no Porto.Em 1906, obteve o cargo de juiz municipal de Mariana, em Minas Gerais, onde permaneceu até a sua morte.Viveu seus últimos anos no esquecimento e obscuridade, recebendo ocasionalmente a visita de algum amigo ou admirador. Foi essencialmente, um poeta místico, e sua obra está eivada de profunda espiritualidade. Morre em 15 de julho de 1921.Deixou ainda: Mendigos (prosa, 1920), Pauvre lyre (publicação póstuma, 1921) e Pastoral aos crentes do amor e da morte (id. 1923).