quinta-feira, maio 27, 2004

cada porta que abro uma surpresa, cada pessoa, um gesto;
o mundo se abre aos meus olhos
fico espantado por minhas pernas não querer andar, caminhos que andei a vida inteira
fico espantado nada mudou, eu mudei
a vida passa por cima de quem não muda e destrói quem quer mudar mais rápido do que ela concede
Por isso vou
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Já era tarde, mas na insistência de provar, mesmo esperançoso, que estava errado e ressentia-se em saber que estava errado: o homem é um plural de faculdades que em certas épocas desmaranha uma e se forma diferente como se fosse outra pessoa, mas já sabiámos disso, é a mesmo pessoa, mas outros anseios as trazem aqui. Já sabia que de alguma forma isso aconteceria, entretanto ressalto, no fundo não acreditava, pensava que todos eram iguais a ele, porém se provado que todos são iguais: que é do homem essa metamorfose, algum dia ele também não se reconheceria no espelho. Neo Gural Joapam Baralr tinha conhecimento disso tudo e pensou que assim sendo poderia lidar melhor com a situação, ou pelo menos não se curvar, não obstante aconteceu um fato que ele não poderia imaginar e esse seu conhecimento não foi válido e sim mostrou-se nocivo.

Depois de alguns anos, Neo Gural Joapam Baralr voltou e não conhecia mas ninguém. E todo voltou a ser o que era, ele sabia que tudo voltou a ser como queriam... e eles puderam fazer do jeito que queriam...

domingo, maio 16, 2004

ideais/idéias de ilusão que de tanto martelar tornam-se verdade para as cria, inclinado pela aprovação de seus pares se pergunta: "Como pode ser mentira, se todos acreditam, de alguma forma ou com outra pessoa pode ser verdade, não há mal levar essa idéia adiante, pois era assim que era para ter sido!"...
Será que o eleitorado vai se redimir e eleger o ex-futuro presidente José Serra para a Prefeitura de São Paulo?

Não acho os leitores de Lula, pergunto-me: "Como ele ganhou a eleição?".

quarta-feira, maio 05, 2004

Caetano Veloso:


Peter Gast,
o hóspede do Profeta sem morada,
O menino bonito Peter Gast,
Rosa do crepúsculo de Veneza.
Nietzsche

"Se eu pudesse dar-lhe uma idéia do meu sentimento de solidão! Nem entre os vivos nem entre os mortos, não tenho alguém de quem me sinta próximo. Não se pode descrever como é aterrorizador; e apenas o treino em suportar esse sentimento e o caráter progressivo de sua evolução desde a tenra infância permitem-me compreender que não tenha sido totalmente aniquilado por ele."

quarta-feira, abril 28, 2004

Escavação

Numa ânsia de ter alguma coisa,
Divago por mim mesmo a procurar,
Desço-me todo, em vão, sem nada achar;
E a minh'alma perdida não repousa.

Nada tendo, decido-me a criar:
Brando a espada: sou luz harmoniosa
E chama genial que tudo ousa
Unicamente à força de sonhar...

Mas a vitória fulva esvai-se logo...
E cinzas, cinzas só, em vez de togo...
- Onde existo que não existo em mim?

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Um cemitério falso sem ossadas,
Noites d'amor sem bocas esmagadas -
Tudo outro espasmo que princípio ou fim....


Paris, 3-5-1913

Sá-Carneiro

sexta-feira, abril 16, 2004

Aqui o vento não chega, meus olhos já não fecham mais... sem forças minhas mãos... deixo o livro de lado, caminho... tem tantas formas de morrer... vem a noite... penso: "Como será a minha?"...
Nisso, me encolho enperando por outro dia...

segunda-feira, abril 05, 2004

Eu morro como se morre todos os dias
O último esforço, a última esperança
Tudo se vai, inacreditavel aos olhos
Sem força, sem recordações,
O futuro, o que é o futuro para o prostado?
Esperança... como o peito já encheu de esperança!
Mas, agora, que paz encontrar a cada suspiro a menos?
Já não me olham como antes,
Como se no íntimo concordassem comigo:
“Não tem mais jeito, não tem mais reza”

Assim procuro nos meus livros... páginas em branco...
Qual agonia para confortar-me nesses dias
Escrito estava, em giz colorido
Tento descrever, mas como lembrança tenuê
De uma felicidade efêmera, apenas fragmentos
Fagulhas de dias de felicidade, que logo se apagam
Guardei-me para o que não aconteceu
Esperei para o que não veio
Agora longe de mim
O que faço com o que restou?

quarta-feira, março 10, 2004

terça-feira, março 09, 2004

Em fevereiro as justificativas que o BC alardeou para não baixar a taxa Selic foram a ameaça da continuidade de tendência de alta da inflação. Mas: Os preços no município de São Paulo registraram queda em fevereiro, pela primeira vez em seis meses. O ICV (Índice do Custo de Vida), calculado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos), teve queda de 0,18%, ante aumento de 1,46% em janeiro.

segunda-feira, março 08, 2004

A UM MONUMENTO

Triste negra vassalagem
Do mais baixo servilismo,
Negreja no espaço a imagem
Consagrada ao despotismo.

E em torno dela agrupados,
Vergonha de nossa idade!
Estão os vultos sentados
Dos filhos da liberdade!

O povo curva-se e passa,
Porque não vê a ironia
Que encerra essa brônzea massa
Indigna da luz do dia.

Porque nunca leu a história
Das turvas eras passadas,
Folhas brilhantes de glória,
Mas de sangue borrifadas.

Porque não conhece o drama
Do mártir que ali morrera,
Por zelar a sacra chama
Que a liberdade acendera.

Pobre turba! Néscia e fátua,
Na sua soberania,
Beija os pés à fria estátua
Que há de esmagá-la algum dia!

Fagundes Varela



Biblioteca Nacional




sábado, fevereiro 21, 2004

Lula começa

Um ano após assumir a Presidência, Lula diz, ao assinar a MP proibindo o funcionamento de bingos, que o gesto significa o início do processo de moralização do país.
Pensei que o processo de moralização começasse desde o primeiro dia que assumiu tão alto cargo. Mas começou, e pelos bingos, não falo q seja um lugar de santos, porém a começar pelos bingos, ora, esse processo de moralização poderia ter começado com apoio para punir com justiça as escutas de ACM.
E se Waldomiro Diniz não fosse ex-assessor do ministro da Casa Civil, José Dirceu? E se a imprensa não fizesse tanto barulho? Quando ia iniciar processo de moralização do país?

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Governo federal

Parece que já vimos essa história antes...
Lembro de um dia, não sei que dia e nem sei que amigo (ultimamente que Jah não levou o vinho esta levando de minha memória, mas...) ele me disse que as máquinas iam ficar tão evoluídas que só precisavam do homem para apertar o LIGA ( e teria desde a máquina que faz todo tipo de comida, dá conselhos, controla o trânsito, etc). Parece que no Brasil já inventaram essa máquina lá em Brasília. Agora quem está dela comando é o Lula, e funciona como nos governos anteriores, ela tem aquele assessor do homem de confiança: corrupto; o presidente da República: complacente; aquele cara da oposição que faz e acontece (ACM): não não podem ir a fundo nas investigações; na Cultura um cara que entende da cultura: mas ela sempre invisível; na Fazenda o mesmo discurso: não podemos baixar os juros temos que ser prudentes; Planejamento sempre um cara brilhante que faz o melhor planejamento do mundo, mas que sempre o Congresso infla metade dos planos e o Governo corta o outra metade.

O futuro é aqui

sexta-feira, fevereiro 13, 2004

Robin Willians

"Bush esta reclamando da falta de inteligência, o que parece um pouco redundante", brincou Williams. "Eles dizem que não sabem se o Iraque tinha armas de destruição em massa -- bem, tudo o que eles tem que fazer? pedir os recibos para (o vice-presidente Dick) Cheney."



Colour Museum



Sociedade: A influência das cores
Quinta-feira, Janeiro 22, 2004

A paciência é um recurso natural não renovável.
Sinto em dizer-lhe, mas a minha já está quase no fim...

# posted by

Didi



@ 3:08 PM

terça-feira, fevereiro 10, 2004

Número às avessas

Tem um certo livro que li, agora não dizer qual era, que dizia que no futuro todos seriam identificados com um número apenas.
Não sei se era assim que ele previa mas de certa forma já esta virando realidade:

Carro-bomba explode e mata 50 pessoas em Bagdá
Avião cai e mata 43 nos Emirados Árabes
EUA prendem nº 48 da lista dos mais procurados



Nosso presidente fazendo escola

Dizem que muitos estadistas estão copiando Lula, estão até pensando em criar um Fome Zero mundial. Tem muitos que estão até talhando o mindinho para engarnar a fundo seus ideais.

segunda-feira, fevereiro 09, 2004

Um estádio cheio de coisas improváveis

Por NiceGuyEddie

Pensem em coisas extremamente improváveis de acontecer. Digamos, algo com uma probabilidade de um em um milhão de acontecer na próxima hora. Tipo encontrar uma nota de 200€ na rua, ou de levar com um vaso na cabeça. Ora, então isto quer dizer que na próxima hora haverão dez felizes contemplados em Portugal, e 6000 felizes contemplados no mundo. Durante as próximas 24 horas, existirão 144000 contemplados no mundo - isto é, os Estádios da Luz, Alvalade e Dragão cheios de gente a quem aconteceu a mesma coisinha específica cuja probabilidade era de um num milhão. Pensando bem, a hipótese de encontrar 200€ na rua talvez seja de um em um bilião. E espero bem que a de levar com objectos em queda também ande por esses lados.+mais


de aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, não ipomtra em qaul odrem as lrteas de uma plravaa etãso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo. O rseto pdoe ser uma ttaol bçguana que vcoê pdoe anida ler sem pobrlmea. Itso é poqrue nós não lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro.


Lisboa, Fevereiro de 1914.



Neste brevíssimo poema, musicado por Adriana Calcanhotto, o poeta conseguiu condensar sua angústia: "de ser nem um nem outro, mas algo que fica entre os dois", por isso meu favoritismo.
Composto por uma única quadra caracterizada por irregularidade métrica, este quarteto representa um reflexo do estado psíquico do autor. Quando de sua insatisfação ("pilar da ponte de tédio") por não conseguir estabelecer seu eu real ("sou qualquer coisa de intermédio ") encontramos um eu lírico exprimindo um conflito com a realidade que ele pretende ultrapassar.
Segundo Cleonice Berardinelli, em Mário de Sá-Carneiro, "as marcas impressas são do Outro, daquele que ele devia ter sido e em cuja busca perdeu-se sem, contudo, atingi-lo. Ficou a meio caminho entre o que era e o que aspirava a ser: a ponte já seria qualquer coisa de intermédio, mas chegaria ao Outro; o poeta, não: é o pilar, o quase, como ele mesmo disse, ou o entre, como diria Álvaro de Campos. Nem deu pela sua vida real, nem conseguiu dar realidade à vida ideal que sonhou".

J u s s a r a E l i z a b e t h

segunda-feira, janeiro 19, 2004

Para uma chance....
e quantas chances tive de viver
agora, com os pés amputados, quero correr
meu coração diz adiante
do que restou de mim retruca
de que adianta?

quinta-feira, janeiro 08, 2004

Faça-se a voz...