segunda-feira, abril 05, 2004

Eu morro como se morre todos os dias
O último esforço, a última esperança
Tudo se vai, inacreditavel aos olhos
Sem força, sem recordações,
O futuro, o que é o futuro para o prostado?
Esperança... como o peito já encheu de esperança!
Mas, agora, que paz encontrar a cada suspiro a menos?
Já não me olham como antes,
Como se no íntimo concordassem comigo:
“Não tem mais jeito, não tem mais reza”

Assim procuro nos meus livros... páginas em branco...
Qual agonia para confortar-me nesses dias
Escrito estava, em giz colorido
Tento descrever, mas como lembrança tenuê
De uma felicidade efêmera, apenas fragmentos
Fagulhas de dias de felicidade, que logo se apagam
Guardei-me para o que não aconteceu
Esperei para o que não veio
Agora longe de mim
O que faço com o que restou?

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